Prazos e procrastinação

Se nos oferecerem 50 dinheiros agora ou 100 em um ano, pegamos os 50. Se nos oferecerem $50 em 5 anos ou $100 em 6 anos, a diferença de tempo não mudou (um ano), mas parece mais natural esperar um ano a mais, quando já se esperou um bocado.

Portanto, sendo animais racionais, escolheríamos sempre o montante mais alto, ou temos a tendência de pegar o que podemos lucrar mais rapidamente, diz o jornalista e escritor David McRaney, autor de “Você não é tão esperto quanto pensa” (disponível em português). Por isso, o Twitter parece sempre mais gratificante que fazer tarefas mais difíceis do qual depende nosso salário no fim do mês.

A melhor maneira de combater a procrastinação, diz David McRaney, é lidar com prazos.

Um estudo de Klaus Wertenbroch et Dan Ariely realizado em 2002 criou 3 turmas de estudantes que deveriam entregar, cada um, 3 tarefas. O primeiro deveria entregar as 3 tarefas juntas no final de 3 semanas. O segundo ia entregar as 3 tarefas em prazos diferentes. A última deveria entregar uma tarefa a cada semana. Sem nenhuma surpresa, o último grupo apresentou os melhores resultados, enquanto o primeiro foi catastrófico. Os estudantes sem linhas diretrizes tem a tendência de deixar todos os deveres pra última hora.

Esses resultados sugerem que se todo mundo tem problemas com a procrastinação, os que reconhecem e admitem sua fraqueza são os que estão em melhor posição para usar as ferramentes disponíveis para superar essa dificuldade, explica Dan Ariely em seu livro “Previsivelmente Irracional” (também disponível em português). “A procrastinação é um impulso, como comprar caixas de doces na loja”.

Para combater a procrastinação, é necessário se tornar um adepto da reflexão sobre a reflexão (a “metacognição”, mencionada do artigo anterior), conclui David McRaney. “É necessário entender que é você que lê esse texto e é esse mesmo você que será, no futuro, influenciado por diferentes desejos e ideias, um você com outras disposições, usando outras paletas de funções cerebrais para pintar a realidade”.

É necessário ser capaz de discernir entre os custos das recompensas toda vez que a escolha tiver que ser feita.

O que é mais fácil falar que fazer.

Nos próximos artigos, mais formas de evitar a procrastinação, mudar hábitos ruins e produzir mais em menos tempo.

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