Vinhos para Iniciantes Inteligentes – Parte 2

A qualidade do vinho

Como é que você acha que as 42 milhões de garrafas exportadas anualmente de Casillero del Diablo saem iguaizinhas? O segredo começa nos vinhedos, com um bocado de defensivos agrícolas e colheita por máquinas (que sacodem as vinhas e derrubam o que estiver nelas) ao invés da colheita manual.

Outros truques conhecidos na produção vinícola em escala são a correção artificial de acidez, uso de chips de madeira (pedaços de madeira mergulhados no vinho pra parecer que foi envelhecido em barricas de carvalho), acréscimo de açúcar pra estimular a fermentação e aumentar a graduação alcoólica, e por aí vai.

As legislações tanto do Chile quanto da Argentina são um bocado lenientes. Ao contrário, as Denominações de Origem (DO) europeias são bem restritas.

Um vinho pra ser considerado Amarone (um DOCG – Denominação de Origem Controlada e Garantida – do Vêneto, Itália) tem que seguir regras controladas que legitimam a região. Existem muitas certificações pra atestar qualidade e procedência.

E existem, claro, cuidados especiais na fabricação.

Os produtores orgânicos usam um processo de produção que combate as pragas só com produtos naturais, sem agrotóxicos. Os biodinâmicos, além dos princípios orgânicos, incluem princípios filosóficos, buscando maior integração com a natureza. Já os produtores naturais não adicionam nada ao vinho, nem sequer as leveduras! Usam as do ambiente, chamadas de “leveduras indígenas”. É um processo mais cuidadoso, artesanal e onde o risco de perder o vinho é maior.

Ainda existem indícios menores de qualidade, como uma bela e pesada garrafa, com aquele fundo bem curvo e grosso. Rolhas de qualidade, porque as mais compridas são melhores pra guardas longas (e só Portugal produz cortiça no mundo! Boas rolhas são caras!). E o uso de barricas de carvalho na produção. Uma barrica dessas tem capacidade pra só 225 litros e pode custar de 500 euros (carvalho esloveno) a 1200 euros (francês). Ninguém vai colocar um vinho ruim neles! Mas veja bem, são só indícios, não leis!

Além do mais, cada vinho harmoniza (combina) com um certo tipo de prato e ocasião, clima e companhia! Já imaginou degustar um belo Brunello no “refrescante” carnaval de rua de Salvador? Ou um Barolo pra ver um futebol no verão no Maracanã? É quase tão apropriado quanto comer uma feijoada antes de uma maratona!

Será que o Brasil consome pouco vinho (por volta de 2 litros per capita anuais) só porque é quente? Acho que não. Temos bons vinhos nacionais que devem ser servidos refrescados. E algumas boas surpresas.

Então, que tal uma listinha de sugestões? Não perca a 3ª e última parte!

1 comentário

  1. Gutex
    ·

    Gosto muito dos vinhos de São Roque/SP. Principalmente da Terra do Vinho e Góes.

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