Vinhos para Iniciantes Inteligentes – Parte 3

Antes de começar, vale dizer que a lista é pra absolutos iniciantes. Não é pros camaradas que rodam a taça enquanto ela estiver na mão, ora cheirando, ora declarando aromas nunca dantes navegados.

Como vimos antes, esses entendidos costumam não saber a diferença entre um vinho barato e um caro, preferem um vinho de US$90 a um de US$ 10 (ainda que sejam o mesmo vinho), ouvem seu Córtex Pré frontal Ventro Medial como se fosse um sommelier, e não perdem as recomendações dos especialistas famosos.

Vou começar com os moscatéis. Pra quem curte vinho “suave” (o contrário de “seco” – levemente adocicado), o Moscatel tem um dulçor natural, que restou da fermentação das uvas. E o gás também é resultado da fermentação. Se estiver muito quente e sua companhia for 100% leiga, sirva gelado que o sucesso é garantido! O moscatel é praticamente um refrigerante que faz as piadas serem mais engraçadas. É mais alcoólico que cerveja!

Ponto Nero Moscatel, da Domno do Brasil (por volta de R$32)
Espumante Moscatel tipo Asti, da Casa Perini (por volta de R$27)
Espumante Moscatel Rosé, Cavaleri (por volta de R$33)

Esses acima não são tão fáceis de achar por aí. O da Salton é.

Se você curtir um branco, que é bem leve, normalmente com teor alcoólico mais baixo que o tinto e é feito pra ser servido mais refrescado, a dica é o chileno Urmeneta Sauvignon Blanc, que está por volta de 16 reais aqui no Brasil. Tem aquela qualidade standard, mas o preço é um indício das manipulações que talvez tenha sofrido.

Se a companhia for mais exigente, uma boa opção é o branco português Artefacto. Pertencer à DOC “Vinho Verde” (que é uma denominação de origem controlada da província do Minho) é garantia de qualidade, mesmo custando uns 25 reais.

Outro que tem DOCG é o Chianti Monteguelfo (da região de Chianti, Itália). Está por 33 reais.

O uruguaio Tacuabé Tannat, por volta de 30 reais, é um belo vinho pro dia-a-dia (mesmo sem DOC).

Finalmente, o vinho que pra mim é o melhor custo benefício do Brasil: o Dall’Agnol DMD 2005, feito pelo Irineo Dall’Agnol, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, de Bento Gonçalves.

Por 45 reais, não tem o que discutir. Você não vai achar essa joia no mercado. Só pelo site. Aí, o preço final depende do frete. Nem devia fazer propaganda, mas acho que meus 7 leitores não vão mudar o preço dessa belezinha. O DMD pode ser uma boa surpresa até pra quem já conhece vinhos, mas ainda não conhece esse.

Outros vinhos, pra quem já aprecia há tempos, são o Chianti Classico Marchese Antinori e o Amarone Cesari. Esse último, infelizmente, chega ao Brasil a um preço intragável. Mas estou mencionando porque tenho boas lembranças de quando os impostos não esfolavam (tanto) o bolso.

E quando estiver bebendo seus vinhos, lembre-se de sempre ter um copo com água junto. A desidratação provoca uma dor de cabeça tão grande quanto o preço dos vinhos caros – principalmente se a companhia não aproveitar! Mas essas duas dores de cabeça, como você viu, são fáceis de evitar.

Material extraclasse

Filmes imperdíveis sobre vinho:

Somm – Incrível documentário sobre a preparação para a prova mais difícil do mundo dos vinhos. Assista, se quiser saber o que faz gente inteligente e fanática por vinhos.

Red Obsession – Documentário sensacional (narração de Russel Crowe) que mostra como os novos ricos chineses mudaram o mercado de vinhos. Mostra até um evento “en primeur”, além de todos os figurões do mundo do vinho. Assista, se quiser saber o que faz gente sem noção e com dinheiro sobrando.

Mondovino – Documentário premiado sobre a globalização dos vinhos, e a influência de especialistas como Parker e Michel Rolland.

Quadrinhos:

Os Ignorantes – Um quadrinista francês se oferece pra trabalhar na produção dum vinho biodinâmico, enquanto ensina ao produtor o que há por trás da produção de quadrinhos. Real, leve e instrutivo.

14 Comentários

  1. Gutex
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    Fiquei com vontade de tomar esse Dall’Agnol DMD 2005.
    Final do mês eu comprarei! Se a dona onça não aprovar, eu bebo tudo sozinho.

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    1. ZNP
      ·

      Gutex, eu não tenho nada a ver com o produtor, mas esse é meu nacional favorito. Já botei em briga às cegas e ele nunca decepcionou! Aguardo seu feedback!

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  2. Anônimo
    ·

    Mas o chato é ter que comprar este Dall´Agnol online. Será que não tem em loja nenhuma mesmo? Eu só gosto de tinto e fico muito na dúvida com tinto nacional.

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    1. ZNP
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      A alternativa é comprar no local. Mas isso apenas pro DMD. Eu acho o custo/benefício dele estupendo, e uma vergonha que a indústria nacional tenha impostos pesados enquanto os países produtores deem incentivos(até pelo Mercosul!).

      De uma forma geral, o tinto nacional tenta surfar um hype que não existe nos países onde o consumo não é elitizado. Ainda estamos na contra-mão. O DMD é uma das poucas exceções. O preço subiu 5 reais desde a publicação do artigo. Nada mal, contando que a inflação do período passou disso e que houve aumento de imposto dos vinhos nacionais em janeiro. O DMD ainda é meu tinto brasileiro preferido.

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    1. ZNP
      ·

      Olá Marcos. Eu ainda prefiro o DMD! Como vinho é uma questão de gosto, pode ser até que você prefira o Superiore. O DMD pode causar boas surpresas. Mas as 70 pratas do Superiore deixam pouca margem pra surpresas, né?

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  3. Anônimo
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    Comprei 8 DMD e 4 Superiore. Quando beber, eu posto minhas impressões aqui.

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    1. ZNP
      ·

      Marcos, só não esqueça de deixar o bicho decantando! O site diz pelo menos 10h no decanter, mas o melhor é abrir na véspera e deixar respirando. Aí sim, o DMD mostra sua personalidade. Não vou falar muito, porque vinho realmente é gosto.

      Aguardo suas impressões!

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  4. Anônimo
    ·

    Comprei 8 DMD e 4 Superiore. Fciou meio caro com o frete, em media 60 por garrafa. Espero que chegue rápido!

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    1. ZNP
      ·

      Essa conversa me levou ontem até meu estoque de DMDs, e abri minha última garrafa! Hora de encomendar mais! Só decantar bem e servir na temperatura adequada, que ele não decepciona! O frete realmente não ajuda, mas só sites como a wine.com.br que trabalham com escalas enormes podem fazer essa graça de frete grátis. Só acho difícil que consigam fazer isso com pequenos produtores.

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      1. Anônimo
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        Fiz a encomenda no site, fiz o depósito e logo em seguida me responderam que a encomenda estava a caminho e incluindo a NFe e o link para o rastreamento. O esquisito é que este link paonta para o usps.com (correio dos Estados Unidos)> Isto também ocorreu com você?

        Enquanto isto, vou de argentino mesmo. Ontem, foi meia garrafa daquele Achaval-Ferrer que comprei baratinho faz uns três anos na Argentina e que hoje tenho até medo de ver o preço. Tomara que este DMD seja do meu agrado, senão vou ter que parar de tomar vinho rsrs.

        Ah, antes que eu me esqueça. O vendedor do DMD falou que tem que decantar por 8 horas! Nunca fiz isto antes; meu recorde são 3 horas.

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        1. ZNP
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          Olha que curioso! Não lembro desse detalhe do envio. Lembro que da última vez que pedi, fiz um pedido bom pra durar o último aumento dos impostos. E pro medo do 2005 acabar. Na minha opinião, o Superiore não dá o mesmo “bang for the buck”, até porque é mais caro. E o que curto é descobrir os que têm o melhor custo benefício. Um Amarone, pelo preço que custa, tem a obrigação de ser excelente.

          Sobre decantação, é verdade. Já mencionei aqui antes. Pro DMD, acho bom abrir na véspera e servir na temperatura certa. Faz bastante diferença pro DMD. Abrir a garrafa e servir logo não é legal.

          Outra coisa são as expectativas. É um vinho de 2005 pouca coisa mais caro que um Casillero! Não é pra brigar com um premier grand cru! 😀

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          1. Anônimo
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            Chegaram meus DMDs. Provei um ontem, mas não tive tempo de decantar porque me incomodei o dia todo. Logo ao abrir dá pra notar que é um vinho que não aprece custar somente 50 reais. O primeiro gole estava médio (acho que o vinho está passando do ponto ideal para beber), mas melhorou muito depois de uma meia hora.

            A regra que eu aprendi quanto à decantação é que funciona bem para vinhos jovens que foram abertos bem antes do ápice de evolução. Decantar, levaria a um rápido amadurecimento do vinho (na teoria). Só que o DMD não é um vinho jovem, ao contrário, é um vinho de 2005 que cista 50 pratas. Então não entendi o motivo da decantação, mas o fato é que neste caso ajudou muito.

            Obrigado pela dica!

          2. ZNP
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            Caramba! Meia hora pra um DMD é muito pouco! Que injustiça! 🙂 Acho que vale a pena postar o que achou depois de deixar pelo menos um bom tempo depois da garrafa aberta! Mas enfim, acho que você tem munição pra fazer todos os testes que o vinho precisa e merece! Decantar umas horas ou usar um aerador dá uma vantagem. Abrir a garrafa e deixar pro dia seguinte depois de ter um bom contato com o ar também ajuda. E tem razão, pode ser que esteja na hora do DMD 2006… O que, no nosso ritmo, não deve demorar muito! Aguardo mais impressões!

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