A Regra de 100

Então você já se livrou das dívidas, e formou uma reserva para emergências. Está na hora de começar a investir! Mas… em quê?

O gerente do banco provavelmente vai querer te empurrar aquele sensacional título de capitalização em que, alguns anos depois do investimento, você recebe todo seu dinheiro de volta! Uau! Que negócio bom, hein? Bom pro gerente!

Felizmente, existe uma regrinha que zinplifica a vida de quem – como eu – fica confuso com o mundo dos investimentos. É a regra de 100.

É bem simples: subtraia sua idade de 100. O que sobrar, deve ser investido em renda variável. Sua idade é o percentual a ser investido em renda fixa.

Renda fixa é toda aplicação na qual você investe já sabendo o quanto vai render. Poupança é uma renda fixa. Títulos do Tesouro Nacional também, o famoso Tesouro Direto. LCIs (Letra de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letra de Crédito do Agronegócio) são outras rendas fixas. CDBs e fundos DI também.

LCIs, LCAs, CDBs, fundos DI e uma modalidade do Tesouro Direto são pagos com uma porcentagem do CDI (Crédito de Depósito Interbancário – a taxa usada pra juros de empréstimos entre instituições financeiras), que por sua vez deriva da taxa SELIC (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia), que é a taxa básica de juros do Brasil.

Renda variável é o contrário: toda aplicação que, no momento do investimento, não sabemos que rendimento vai ter. É o caso de câmbio, imóveis, ações, fundos de investimento imobiliário (FIIs), ETFs (Exchange Traded Funds – fundos negociados em bolsa), opções, commodities,  e negócio próprio. Existe um risco nisso tudo. Você pode comprar um lote de ações e a empresa tanto pode decolar quanto falir. Vimos recentemente uns bons exemplos disso na bolsa brasileira.

Então, se você tem 25 anos, deve investir 25% em renda fixa, e o resto em renda variável. Se tem 75 anos, deve ter pelo menos 75% em renda fixa, e o resto em renda variável.

E seu patrimônio deve ser rebalanceado regularmente. Podem ser 2, 3 ou 4 vezes por ano, em datas fixas e regulares.

Essa regrinha faz duas coisas importantes:

1) Administra o risco das carteiras dos mais jovens e dos menos jovens.

Um jovem tem mais tempo pra se recuperar de investimentos de risco em épocas de vento contra. Além disso, com uma maior parte em renda variável, o jovem é desestimulado a liquidar o investimento por um impulso de consumo.

Por outro lado, uma pessoa com mais idade precisa de dinheiro na mão pra fazer o que quiser, e não tem tempo pra se recuperar de uma baixa do mercado.

2) Evita que compre na alta e venda na baixa.

Vamos supor que no começo do ano, João fez o balanceamento. Ele tem 30 anos, então colocou 30% em renda fixa, e 70% em renda variável.

No meio do ano, João reparou que o ibovespa caiu, os imóveis também caíram, a Selic subiu. Nesse cenário, o que tinha em renda variável murchou em relação ao que tinha em renda fixa. Então, João colocou mais dinheiro em renda variável.

No começo do ano seguinte, João reparou que as ações se recuperaram e a taxa de juros se estabilizou. Com isso, seus investimentos em renda variável ultrapassaram os 70%, e ele passou um pouco pra renda fixa, até que estivesse de acordo com o planejamento da regra de 100.

Essa medida evitou que ele comprasse na alta e vendesse na baixa. Além disso, movimentou sua portfólio de investimentos muito pouco, e pagou um mínimo de corretagens (taxa cobrada pelas corretoras por cada compra ou venda).

Aos poucos vamos falar sobre cada sigla desse artigo. E as finanças pessoais vão ficar cada vez mais fáceis e interessantes.

4 Comentários

  1. Anônimo
    ·

    Em dezembro/14, eu comecei a investir o dinheiro que tinha na poupança, mas o coloquei em renda fixa, em títulos públicos e lci, ambos de médio prazo. Ainda sou leigo em renda variável, mas pretendo muito iniciar investimentos em ações, mas ainda me falta conhecimento pra ter uma maior “segurança” na hora de investir. Você teria recomendações de livros, pdf, ebook, vídeo aula, pra ter por onde começar?

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  2. ZNP
    ·

    Olá Anônimo!

    Já leu o livro “Investimentos”, do Mauro Halfeld? Ele também tem podcasts de 2 minutos de graça no site da rádio CBN.

    Um canal no youtube que curto muito é o do Bastter. É um cara muito lúcido. Quando puder, assista a esse vídeo:

    http://www.youtube.com/watch?v=UwwJqVVA4fo

    Já dá um bom norte.

    Abração!

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  3. ·

    Z, dentro dessa regra de 100 (nunca tinha ouvido falar e gostei), qual VOCE considera ideal para diversificação na renda variável?

    Explico: hoje tenho 29 anos, seguindo essa regra, teria que investir 71% em RV. dentro destes 71%, quantos % seria para ação e qts % para FII? só tenho esses 2 em RV mesmo.

    Atualmente divido da seguinte forma: 30% ação, 30%FII e 40% RF. porém migrarei para esse método aqui.

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    1. ZNP
      ·

      Opa Nunes! Tudo bom, amigo?

      A Regra de 100 é uma sugestão. A RF no Brasil vai de vento em popa esse ano. Pra quem não quer se expor ao risco, não vai perder nada com as maiores taxas de juros reais do mundo.

      Hoje em dia acho ETFs uma maneira excelente de diversificar em ações. Exige pouco tempo de envolvimento, os dividendos são reinvestidos nas cotas e o balanceamento entre as empresas é feito automaticamente por uma taxa bem baixa. FIIs também estão rendendo mais que os aluguéis de imóveis residenciais.

      Então, eu uso a regra de 100 para o balanceamento do patrimônio, mas faço as novas compras de acordo com o momento. Indo por aí, suas porcentagens estão muito boas! O pulo pra ter os benefícios de evitar vender na baixa e comprar na alta é continuar rebalanceando constantemente.

      Abração!

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