Leitura e estudo

Você costuma repetir mentalmente o que está lendo?

É um hábito comum repetir mentalmente o que está sendo estudado pra que a informação entre na memória de curto prazo (working memory). Essa nossa voz mental é o chamado loop fonológico, e essa consciência está intimamente relacionada com a memória de trabalho, mas não é o que determina a maior retenção do conteúdo.

Muita gente, quando lê, acha que a informação escrita é a única informação a ser transmitida. Eu também pensava assim. Na verdade, como nossa memória é associativa, ela é formada não só pela atenção e importância que damos a ela (fator emocional e motivador), como também pela quantidade de outras informações (como diagramação, ilustrações, fonte, cor, peso do livro, ambiente da leitura, etc) que acompanham a informação escrita.

É por isso que o livro em papel ainda é melhor que o livro digital – pelo menos nesse quesito. Não estamos falando de economia de produção, praticidade, preço, etc. Eu também curto o livro digital.

O livro em papel tem um peso específico e uma diagramação e tamanho personalizados que fazem diferença na hora de criar novas memórias. Você pode lembrar uma informação pela posição que ela estava no livro (bem no começo do capítulo, na parte de cima da página, num box sobre algum detalhe, por exemplo).

Outra informação importante é que a melhor maneira de reter informação é através de testes. Testes constantes são ainda mais eficientes que mapas mentais na retenção de informação. Isso porque, ao revisar a matéria, evitam a curva do esquecimento, sobre a qual falaremos em outra oportunidade.

Então, a melhor maneira de ler é folhear o capítulo tentando entender como a informação está diagramada. Qual parte do capítulo fala sobre que assunto, mas sem ler tudo. Apenas tentando entender onde cada tópico está.

Um vez feito isso, volte e leia tudo com atenção. Ao terminar cada página, olhe pro lado e pense em que informação essa página abordou. Quais os conceitos importantes, as informações-chave. E siga até o fim do capítulo. Pare e pense no que o capítulo abordou.

Não use canetas marcadoras indiscriminadamente. Acender o texto ajuda muito pouco. Digitá-lo também. Interrompe a leitura, fraciona o pensamento e conduz a uma ilusão de aprendizado.

Se você tem o hábito de marcar texto, seja o mais seletivo possível com o que marca, e tenha em mente que ler o assunto aceso (passive highlighting) não aumenta sua retenção.

Resumos escritos à mão, notas ao lado da página, opiniões, críticas ao texto ajudam a fazer associações. O ato de escrever com lápis ou caneta já embute uma série de pistas sobre a informação que está sendo escrita e fortalece o processo de aprendizagem.

Testes (responder questões) e repetição espaçada são as formas mais eficientes para retenção. E uma forma eficiente de repetição espaçada é rever o assunto estudado em formas diferentes: aulas, resumos, explicações na internet, filmes e vídeos, flashcards, etc.

Lembre de fazer pausas constantes. É natural que a atenção se dissipe no meio de uma sessão longa de estudo, porque os neurônios consomem os neurotransmissores. 25 minutos é uma boa média. Você pode estipular tempos mais longos ou curtos. Faça uma pausa de uns 5 min e continue.

Agora vamos praticar. Olhe para o lado e tente se lembrar dos tópicos mais importantes que esse artigo fala.

7 Comentários


  1. ·

    No caso da constituição brasileira, como faço pra Memorizar alguns trechos sem apelar para o overlrarnig?

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    1. ZNP
      ·

      Opa Saks,

      Compreensão e memorização são coisas diferentes, né?

      Se você quer memorizar trechos inteiros de textos, uma das melhores maneiras é colocar numa música. Não sei qual a extensão dos trechos que você quer memorizar, mas colocar o texto numa música facilita. Depois é só lembrar o começo de cada parte/estrofe.

      Lembro que, no exército, tinha que decorar músicas em pouco tempo. O Hino à Bandeira, por exemplo. Eu lembrava só do começo de cada estrofe (“salve/em/contemplando/sobre”) que alterna com o refrão (recebe o afeto que se encerra), e o resto todo acompanhava. E isso foi há mais de 20 anos!

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        1. ZNP
          ·

          Em breve vamos abordar a parte de memorização. É BEM menos difícil do que parece! E funciona bem tanto para concursos como para idiomas! ;P

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  2. Rafael
    ·

    Olá novamente Zinplez,

    Sou o mesmo que fez uma pergunta no tópico dos flashcards ( Publiquei como anônimo pois na pressa de publicar meu comentário, acabei não colocando o nome, rs)
    Li em um livro de estudos, que é muito importante fazer questionamentos mentais durante a leitura, tanto para o entendimento como para memorização, e pelo que entendi segue o mesmo principio do que você escreveu, de ler cada página e pensar sobre o que ela abordou.
    Mas tenho uma dúvida, você acha que é melhor fazer as anotações durante essa parte da reflexão do que foi lindo em cada página ou deixá-las para fazer ao final do estudo/capítulo? Tenho receio de deixá-las para o final e acabar esquecendo algo, em contrapartida o tempo será muito maior se for feita deste modo.

    Parabéns mais uma vez pelo site, conteúdos fantásticos.

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    1. ZNP
      ·

      Olá Rafael!

      Olha, é válido fazer resumos, mas eu prefiro ler e tentar entender antes. Depois dar uma segunda passada e anotar os pontos importantes. O que não ganha muito é passar uma caneta marcadora, daquelas com cores chamativas.

      Obrigado pelas palavras gentis e pelo comentário!

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