A Curva do Esquecimento

Hoje vamos ver uns mecanismos que podem ajudar a quem teve dúvidas sobre o artigo de Repetição Espaçada.

No final do século XIX, o psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus fez uma série enorme de estudos sobre a memória humana que tem efeito até os dias de hoje. Uma das suas descobertas mais importantes foi “a curva do esquecimento”.

A Curva do Esquecimento

A curva do esquecimento descreve a perda exponencial de informação que segue a aquisição de informação. Assim, a maior perda acontece já na 1ª hora depois do estudo e começa a nivelar depois de 1 dia.

Curiosamente, a curva de aprendizado também é exponencial. Assim, menos informação é retida depois de cada revisão, pois a maior parte já foi retida pelas revisões anteriores.

Curva do Esquecimento

 

O Efeito do Espaçamento

Existe uma relação entre as curvas de esquecimento de cada revisão pra que a informação se perca ou seja passada para a memória de longo prazo. Intervalos longos demais submetem a informação à perda. Em contrapartida, esses intervalos podem ser gradativamente maiores.

As revisões não precisam ser sessões de estudo iguais à da aquisição inicial da informação. Aliás, melhor que não sejam! Os melhores resultados para consolidação do aprendizado são obtidos com testes e exercícios. Embora as razões pra isso não tenham sido determinadas, podemos ficar com os resultados práticos.

Revisões

Reparem no gráfico acima o efeito do espaçamento na curva descrita pela soma das revisões – a curva de aprendizado.

Combinando as duas curvas exponenciais, fica claro o forte efeito do tempo na memória de curto prazo e o duradouro efeito da prática na memória de longo prazo.

Assim, não é difícil notar por quê alunos que estudam muito (overlearning) às vésperas de provas têm bons resultados. Mas esses resultados claramente somem em pouco tempo, como também foi verificado no estudo citado no artigo de Repetição Espaçada.

Para quem tem volumes grandes de informação para aprender, como é o caso de vestibulandos, concurseiros, universitários e estudantes de idiomas, o melhor é programar sessões de revisão periódicas e progressivamente espaçadas.

O importante é que a verificação não seja longe demais da última revisão. Mas o quão longe pode ser? Quantas sessões de revisão são necessárias?

O artigo de Repetição Espaçada cita entre 10 e 30% do período entre a última revisão e a verificação como o melhor intervalo entre as sessões de estudo (que nesse caso específico, foram duas) – seja esse prazo 10 dias ou 6 meses. Fora disso, a curva do esquecimento começa a trabalhar.

Por fim, menos importante que uma periodização super precisa é a frequência das revisões. Mesmo que gradativamente espaçadas, elas é que garantem que, aos poucos, o conteúdo passe para a memória de longo prazo. Quem já aprendeu uma segunda língua sabe bem como é. Muitas vezes ficamos anos sem usar uma palavra, e nem por isso ela foi esquecida.

Então, vamos programar sessões regulares de revisão cheias de testes, questões e exercícios, e garantir que a informação de que precisamos esteja sempre na ponta da língua.

6 Comentários

    1. ZNP
      ·

      Nossa! Muito obrigado, Leonardo! E se quiser sugerir tópicos e criticar uns textos, manda bala!

      Mais uma vez, muito obrigado pelo comentário!

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    1. ZNP
      ·

      Caramba! Incrível foi o seu comentário! Obrigado pela gentileza, Laura!

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