Meditação e Aprendizado

vimos que a meditação é um método eficiente de controle de estresse.

Hoje vou mostrar o que descobri através de estudos sobre os benefícios da meditação que me convenceram a começar, buscando melhorar nos estudos. Obviamente, não é uma lista exaustiva, mas foi o que me convenceu.

A primeira delas é a diminuição na atividade do córtex pré-frontal, que é a área da consciência, decisões, auto-recompensa. Maiores atividades acontecem nas pessoas que tem problema com o chamado “desvio do presente” (citado no texto “A Doce Procrastinação”), e entre eles, os procrastinadores contumazes.

Ou seja, meditar melhora sua capacidade de sentar o traseiro e estudar, simplesmente porque vai te trazer benefícios no futuro, e não conferir seu facebook 35 vezes em meia hora.

É exatamente o mesmo mecanismo que facilita fazer dietas ou seguir qualquer coisa que precise de disciplina.

Também há mudanças no córtex cingulado anterior e no córtex pré frontal dorsolateral, responsáveis pela regulação das emoções… e paciência!

Como se fosse pouco, também há mudanças no hipocampo, uma área relacionada com a memória de curto prazo e sua passagem pra memória de longo prazo. Danos no hipocampo geram pacientes como os retratados no filme “Memento” (Amnésia), que perdem a capacidade de aprender novas informações. Ao contrário do que se pensava antigamente, novas células nascem diariamente no hipocampo.

Também há evidências de que, além disso, a meditação é uma das poucas atividades que contribuem pro crescimento dos telômeros, estruturas dos cromossomos que são responsáveis por manter sua integridade, retardando o envelhecimento.

Outra atividade que promove o crescimento dos telômeros (mesmo em pessoas idosas!) é o exercício. Vejam este artigo, relacionando dieta, meditação e exercícios.

Por isso tudo, não é incomum ver cientistas de ponta se aproximando do budismo. O Dalai Lama mesmo tem uma curiosidade enorme em questões de ciência.

Vou deixar o exemplo do Matthieu Ricard, PhD em genética molecular.

Outro PhD digno de nota é Richard Davidson, que publicou em 2012 o livro “The Emotional Life of Your Brain”. Ele pesquisa (entre outras coisas) os efeitos da meditação no cérebro, e há muito pratica diariamente.

Como se tornou amigo do Dalai Lama, quando convidou-o pra participar do programa “Neurociência e Sociedade”, num encontro em 2005, foi criticado por misturar ciência e fé. Nessa ocasião, sofreu uma petição de 500 assinaturas pra que o Dalai Lama não participasse do encontro. Mas a maioria das assinaturas era de pesquisadores chineses, e na China, o Dalai Lama é tratado como terrorista (sério!). Como os outros participantes não se opuseram, não houve mais problemas.

Cabe ressaltar que os efeitos não são mágicos. Não esperem tirar naves do pântano como Luke Skywalker. Mas eles não são pequenos, nem demoram a aparecer.

Qualquer um que tenha sido convencido dos efeitos ruins de uma bela ressaca no estudo do dia seguinte, pode ser convencido em pouco tempo dos efeitos positivos da meditação, mesmo as formas mais simples (simples não é fácil!), como sentar quieto e simplesmente contar a respiração por 10 minutos por dia.

Tem gente que recomenda começar com 2 minutos! DOIS!

A seguir, vamos ver como começar, quais os primeiros desafios aos iniciantes, e os primeiros benefícios!

2 Comentários

  1. SherlockGomes
    ·

    Parabéns ZNP.

    Já li todos os posts (alguns mais de uma vez) e sempre fico impressionado com a qualidade dos mesmos. Obrigado por compartilhar o seu conhecimento e por favor, continue com o bom trabalho.

    Abraços, SherlockGomes.

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    1. ZNP
      ·

      Olá Sherlock,

      Vou tentar não decepcionar. Fique à vontade pra sugerir novos posts ou assuntos!

      E muito obrigado pelas palavras gentis!
      Z

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