Começando a Meditar

Depois de ler tanto sobre os muitos benefícios da meditação, resolvi começar.

Mas reparei que existem muitos tipos de meditação: Meditação Transcedental, Mindfulness, MBSR (Mindfulness-Based Stress Reduction – que foi criada por um médico especificamente pelos benefícios clínicos), MBCT (Mindfulness-Based Cognitive Therapy), Meditação budista, indiana, várias formas de yoga, Qigong (uma prática chinesa de respiração e exercícios), TaiChiChuan (considerada uma forma de meditação em movimento) e por aí vai.

A partir daí, é uma questão de experiência e gosto. Fui a um templo de budismo tibetano e visitei uma sessão pra iniciantes. E esses iniciantes faziam as perguntas mais bizarras do mundo pra instrutora, indicando que achavam a meditação uma espécie de prática oculta que dá algum tipo de super poder.

Gostei do ambiente, do respeito à atividade, de umas partes da meditação, mas sinceramente, não gostei da liturgia. Tudo bem. Há uns anos fiz uma viagem ao Tibete que foi a melhor da minha vida. Tem umas fotos aqui. Os tibetanos são um povo extremamente simples, se concentram no que acham importante e deixam de lado o que não é.

Não desisti. Vou a um curso de um dia inteiro de outro templo, dessa vez de budismo chinês.

Também fiz as lições gratuitas do Headspace. O aplicativo é muito legal (as animações são incrivelmente bem feitas e estilosas) e o site tem referências a pesquisas sobre os benefícios.

Bacana, mas caro. E não gostei nem um pouco de depender duma voz guiando a experiência. É legal no começo, mas quis me desvencilhar disso o quanto antes. O autor do aplicativo é o Andy Puddicombe, um ex-monge que trabalhou em circo por muito tempo e resolveu levar a meditação pras massas e faturar algum. As 10 sessões gratuitas de 10 minutos são ótimas pra começar.

A partir daí, segui simplesmente contando minha respiração. Só isso.

Comecei tentando fazer a lótus completa, ou mesmo a meia lótus – ou seja, cruzar as pernas à maneira tradicional. Dizem que aumenta a estabilidade. Pra mim, sinceramente, dói as costas. Então, hoje faço na cadeira, tendo o cuidado de afastar as costas do encosto. E desde que adquiri esse hábito, tudo ficou muito mais fácil. Afinal, meu objetivo com a meditação é aumentar a flexibilidade da mente, não dos joelhos.

Sento quieto, deixo os olhos fechados ou semicerrados. E conto a respiração. Inspira – um. Expira – dois.

Depois, passei pro “inspira, expira – um”, o que é bem mais difícil! A ideia é chegar a 10 e recomeçar. Algumas vezes, repetia o sete, ou chegava a treze. Isso porque no meio do caminho, um zilhão de pensamentos aparecem. A brincadeira é trazer seu foco de volta pra respiração. E não é nem um pouco fácil.

Comecei tentando fazer 10 minutos pela manhã. E usando sons da natureza pelo youtube. Não é o ideal, mas a avenida onde moro também não é nem um pouco zen.

Depois de um tempo, achei 10 minutos muito pouco e aumentei. Estou me sentindo ótimo!

O aplicativo é legal pra começar. Também achei esse pequeno e ótimo guia. Outras fontes interessantes são os livros “Meditation for dummies” e o “Mindfulness for dummies”. Por enquanto, só li o primeiro, que é bem extensivo.

Em breve vou postar os primeiros benefícios, desafios e próximos objetivos.

Gostaria que você também começasse a praticar e depois de um tempo viesse contar como está sendo. Uma semana ou duas já é suficiente. O importante é a consistência.

E se ajuda veteranos de guerra com estresse pós traumático bem como civis que tentaram suicídio, com certeza pode melhorar nossas vidas num escritório, sala de aula ou em casa.

4 Comentários

  1. razmth
    ·

    Tentei novamente hoje, por 2 minutos. Passou incrivelmente rápido. Cheguei até o 16 e algumas vezes contei 1, 2 várias vezes hahaha.

    Depois refiz por 2 minutos, e me saí melhor. Porém, senti uma dor nas costas, endireitá-la depois de ficar mal posicionado (por mau hábito) é um pouco custoso no início. Amanhã tentarei 5 minutos, 2 são muito ligeiros pra mim. Quando estou pegando o rumo certo, já acabou kkkkkk.

    Responder
    1. ZNP
      ·

      Tá indo bem! Comigo é assim também! Às vezes passa bem rápido! Com constância deve ficar progressivamente mais fácil. Tem feito sentado numa cadeira? Facilitou um bocado quando desisti da lótus e usei a cadeira!

      Responder
  2. Renato
    ·

    Ei ZNP, tive um insight e gostaria de sua opinião. Quando comecei a ir no templo para iniciar minha prática os monges de lá sempre disseram que podia usar a cadeira, mas, o mais recomendado era tentar sempre fazer a lótus. Eu acabei usando a cadeira já que tenho alguns problemas na coluna. No entanto, foi em uma das meditações que brotou uma ideia em mim, é a seguinte:
    Quando a gente está meditando eu acredito que quanto mais desconforto sentimos, e aguentamos esse tipo de sentimento, melhor será a qualidade da nossa meditação. Porque pelo o que eu entendi a meditação nada mais é do que você desapegar de vários tipos de sentimentos como dor, desconforto, sentimentos negativos etc. E quando você está sentando no estilo Lótus, acredito que é o mais alto tipo de desconforto possível sem que possa ter algum problema na coluna (isso para as pessoas que já não tem problema lá). Então, esse estilo de sentar é um dos fatores muito importantes também para meditação, pelo fato que ele gerará muitos pensamentos “negativos” e esse tipo de pensamento, você vai ter que superar na sua prática constante.
    Pelo menos eu estou acreditando nisso. Porque realmente não faz sentido eles quererem sentar de um jeito tão desconfortável se esse jeito tivesse a mesma eficácia que ficar sentado na cadeira.

    O que você acha disso meu caro?

    P.S – Eu medito também na cadeira, sempre que eu tento fazer a Semi-Lótus meus pensamentos ficam voltados para minha coluna, por exemplo: “Estou torto.” “Estou ferrando minha coluna.” “Em vez da meditação me ajudar, eu vou acabar prejudicando minha coluna.” E não sei se esses pensamentos devem ser superados, ou se eles realmente estão certos dsahdiushadsia.

    Responder
    1. ZNP
      ·

      É um pensamento interessante. Mas pelo que li, a lótus é uma posição de conforto! É uma posição que possibilita muito tempo na mesma posição sem esforço e com máxima estabilidade. Também acredito que precisemos de conforto e silêncio para começar a meditar. Isso deve vir com o tempo, mas não veio pra mim. Desde que passei a usar uma cadeira, tudo ficou bem mais fácil.

      Meditar numa posição deliberadamente desconfortável aumenta a dificuldade como estudar num lugar barulhento também é mais difícil. E imagino que seja bom meditar e estudar nessas condições às vezes (estudar em ambientes diferentes é bom como preparação de concursos, já que os exames nunca são feitos onde você estuda), mas isso não quer dizer que o metrô ou a padaria sejam os lugares mais propícios ao estudo e meditação, né?

      De qualquer forma, se está funcionando pra você, não tem porque mudar! 😉

      Responder

Deixe sua opinião