Caderneta de Poupança

Hoje vamos dar uma olhada na poupança, a aplicação mais popular e antiga do Brasil.

Criada em 1861 por Dom Pedro II no mesmo decreto que instituiu a Caixa Econômica Federal (na época, Caixa Econômica da Corte), remunerava depósitos com 6% de juros ao ano. De lá pra cá, não mudou muito. A última mudança veio em maio de 2012, quando havia a expectativa do Brasil dos “juros baixos”.

A remuneração é feita por duas parcelas. A básica, feita pela TR (Taxa Referencial) e a adicional.

A TR foi criada durante o plano Collor II e hoje vale bem perto de nada. A adicional rende 0,5% ao mês quando a meta da Selic estiver acima de 8,5% ao ano, e rende 70% da meta da Selic quando esta for igual ou inferior a 8,5% (foi a mudança de 2012).

Além da liquidez diária (ou seja, o dinheiro pode ser resgatado num caixa eletrônico imediatamente), outra vantagem da poupança é que os rendimentos são isentos de imposto de renda e IOF.

Ela também está coberta pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) em depósitos até R$250 mil por CPF e por instituição. Ou seja, se você tiver R$250 mil na poupança de dois bancos, caso eles quebrem está tudo coberto – menos os rendimentos.

Única exceção é a CEF, que garante 100% de devolução em caso de falência. Garantia dada pelo decreto do Dom Pedro II, pelo governo (ainda imperial). Nesse decreto, é possível ler que qualquer um pode resgatar quando quiser. Se está valendo, talvez seja uma boa perguntar ao senador Collor.

Essa remuneração é paga mensalmente, na data de aniversário. E quando os resgates são feitos, o dinheiro retirado é o que fez aniversário mais recentemente.

Se depositou 100 reais e tirou 30, o rendimento será calculado sobre os 70 reais que ficaram.

Estratégia com Poupança

Pelo que vimos, a poupança rende muito pouco. E em comparação com outros produtos financeiros, rende cada vez menos na medida em que a meta da Selic subir. Estamos hoje em 12,75% ao ano e essa taxa pode continuar subindo.

Como a remuneração da poupança praticamente não muda, quanto mais a meta da Selic subir, menos vantajosa fica. Hoje, por exemplo, ela perde até para a inflação!

Então, no cenário atual, pior do que a poupança, é a conta corrente! Assim, o dinheiro para os pequenos gastos do mês pode ir para a poupança. Mesmo com os resgates, alguma correção é melhor que nenhuma.

Sempre que recebo, dou destino às aplicações no mesmo que em que pago as despesas. Só fica a merrequinha que outrora estaria no bolso. Já quase não ando com papel moeda – tenho só o trocado para dar aos músicos que ficam no metrô, quando são muito bons.

Também vale deixar uma parte da reserva para emergências nela.

Mesmo rendendo pouco, a liquidez diária, ou seja, a facilidade de tirar da aplicação e ter o dinheiro na mão, faz da poupança uma boa aplicação onde deixar a vanguarda da reserva para emergências. Não adianta ter o dinheiro numa aplicação super rentável que só pode ser sacado daqui a dois anos! São os dois pássaros voando!

Outros produtos, cujos resgates podem estar na mão no dia seguinte e que têm maior rentabilidade, podem ficar com o restante da reserva para emergências. Lembrando que a reserva não é um investimento, é um seguro!

Vamos ver esses outros produtos em breve!

6 Comentários

  1. PHOENIX
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    Show! Aguardo ansiosamente a próxima postagem. Sempre gosto de ler suas dicas de investimentos e economia.

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    1. ZNP
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      Em breve vamos ver cada produto separadamente, e esse seu feedback é essencial!

      Muito obrigado pelas palavras gentis, Phoenix.

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    1. ZNP
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      Valeu, raz! Vamos ver nos próximos, quando outros assuntos forem abordados! Obrigado pelo comentário!

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  2. Erich94
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    Aguardando ansiosamente um post de renda fixa e de outros produtos.

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    1. ZNP
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      Opa Erich! Vamos ver cada um deles! Vou tentar mostrar alguma coisa de estratégia. Espero que faça sentido! 😀

      Obrigado pelo comentário, amigo!

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