A Maldição da Memória Perfeita

Solomon era um um jornalista que, durante uma reunião de pauta, levou uma bronca do chefe. Como ele poderia não anotar todos os detalhes? Os nomes e endereços, datas e horários de entrevistas?

Para surpresa de todos, ele recontou a reunião inteira, palavra por palavra. E também ficou surpreso, porque achava que todo mundo tinha essa habilidade.

Solomon Shereshevsky foi estudado por Alexander Luria por 3 décadas, e diagnosticado com um caso grave de sinestesia, onde o estímulo num sentido produz efeito nos outros. Era assim que via os números:

Pegue o número 1. Este é um homem orgulhoso, de boa constituição; 2 é uma mulher animada; 3 é uma pessoa melancólica; 6 é um homem com um pé inchado; 7 é um homem com um bigode; 8 é uma mulher muito robusta – um saco dentro de outro. O número 87, por exemplo, é uma mulher gorda e um homem torcendo seu bigode.

Ele também era capaz de lembrar suas memórias por anos, e tinha dificuldades em esquecer. Que beleza, hein? Imagine um camarada desses estudando para um concurso?

O que ele tinha não era exatamente um superpoder. Ao contrário, ele tinha dificuldades em reconhecer rostos, porque mudavam com as expressões e com a idade. O homem com a memória perfeita encontraria uma pessoa e se lembraria pra sempre de como ela era quando se encontraram pela primeira vez.

Ele também não entendia metáforas. Tinha problemas para ler, porque as palavras frequentemente provocavam sensações distrativas.

Mas e se a gente quiser ficar só com as partes boas da prodigiosa memória de Shereshevsky? Já vimos que é possível aumentar, através de treinamento, a retenção de informação usando a técnica de “chunking“.

Podemos multiplicar nossa memória, sem que isso seja sequer impressionante. De forma parecida, se estamos fora de forma, correr 1 km pode até provocar dores nas pernas. Mas pra alguém com algum treinamento, correr 10 km não é nenhuma notícia de jornal.

Então, com algum treinamento, também conseguimos multiplicar nossa memória. Nos próximos posts!

PARA SABER MAIS

The Mind of a Mnemonist: A Little Book about a Vast Memory – O livro de Luria sobre o caso de Shereshevsky.

Away with Words – Filme de ficção de Christopher Doyle com um personagem inspirado em Shereshevsky.

2 Comentários

  1. Arthur
    ·

    Ansioso pelos próximos posts!

    Sempre achei a minha memória para estudos ruim, talvez seja só balela.

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    1. ZNP
      ·

      Opa Arthur! Não diga isso! Lembre-se do Growth Mindset! Sua memória é ótima! 😉 E vai melhorar!

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