CDB

Já vimos antes o básico da poupança, e quais as vantagens dela em relação a outros investimentos mais rentáveis. Também vimos o que é renda fixa e renda variável, e como balancear os investimentos entre as duas modalidades.

Hoje vamos ver o CDB, que é um título emitido por um banco e vendido para captar recursos. O banco pode usar esse dinheiro captado para financiar qualquer tipo de atividade.

Outros títulos, como as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e Letras de Crédito Imobiliário (LCI), receberam, como forma de estímulo do governo, o benefício de isenção do imposto de renda (IR).

Então, infelizmente, o CDB, além do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), ainda sofre com a tabela regressiva do IR:

  • Até 180 dias: 22,5%
  • Entre 180 e 360 dias: 20%
  • Entre 361 a 720 dias: 17,5%
  • Acima de 720 dias: 15%
FORMAS DE REMUNERAÇÃO

Então, podemos dizer que o CDB é um investimento de renda fixa, e que paga basicamente de duas formas:

1 – Prefixado:

O rendimento exato é acertado na hora da aplicação. Por exemplo: 13% ao ano. Assim, você sabe exatamente o quanto vai receber no vencimento.

2 – Pós fixado:

O rendimento fica atrelado a um indicador. Pode ser a SELIC, pode ser o CDI. Desta forma, o investidor pode comprar um título que renda 105% do CDI, por exemplo.

Também existe uma modalidade menos conhecida que é a pré e pós, que paga uma parte fixa e outra parte atrelada à inflação medida pelo IGPM ou IPCA.

LIQUIDEZ

Vale dizer que todas as modalidades existem com liquidez diária ou não. Ou seja, você tanto pode ter a opção de resgatar o dinheiro a qualquer momento, como pode ser que só possa ver o dinheiro no vencimento.

Como nada é de graça, as taxas pagas aos títulos com liquidez diária são menores. E nos títulos sem liquidez, quanto maior o prazo, melhor o rendimento.

BANCOS MENORES E MAIORES

Outro fator a ser considerado é o banco que emite o CDB. Como esses títulos são instrumentos de captação, normalmente os bancos grandes têm taxas menos atraentes que os médios ou pequenos. E isso embute o risco de quebra em momentos de vacas economicamente mais magras, como o atual momento do país.

Felizmente, os CDBs são cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito, que cobre até R$ 250 mil por CPF em cada instituição financeira. Ou seja, se você tiver R$ 250 mil em dois bancos e os dois quebrarem, receberá integralmente o valor investido (menos os rendimentos).

ESTRATÉGIA COM CDB

Apesar de pagar IR, o CDB tem umas vantagens. Normalmente, o valor investido é bem baixo, o que nem sempre acontece com outros títulos (LCIs e LCAs). Isso facilita a aplicação, sobretudo as regulares, mensais.

Como não tem restrição de aplicação, o CDB não tem o problema das LCA e LCI de falta de lastro – que são garantias de que o banco está usando o dinheiro captado para financiar exclusivamente as atividades escolhidas. Ou seja, está disponível sempre.

É bom considerar o prazo acima de 2 anos, pra ter o menor IR. Nesse horizonte de investimento, vale começar a comparar outros títulos. Isenção de IR sozinha não garante melhor rentabilidade em outras modalidades! E as taxas dos CDBs costumam ser maiores que as LCIs e LCAs pra compensar o IR! Tem que colocar na ponta do lápis!

E cuidado com o banco!

Bancos grandes podem te levar à página do CDB, e lá você pode encontrar uma aplicação ligeiramente diferente, com um nome bacana como InvestPlusXtreme. E pra algumas poucas facilidades extras, podem te cobrar algo como 3, 4, até 4,5% ao ano! Cuidado! É mais tranquilo investir em cavalos usando dinheiro de agiotas russos!

Aí vale a pena procurar uma boa corretora, pois elas oferecem CDBs e outros produtos de outros bancos (menores) sem que você precise fazer outros cadastros. Corretoras são tão regulamentadas quanto os bancos (não sei se isso é bom ou mal…). E os bancos menores também têm classificação de risco (que também não é garantia de nada). Basta conferir na página da corretora (ou pedir por email).

Leiam os prospectos! Procurem saber exatamente qual o rendimento oferecido, e se há alguma taxa escondida.

Pré ou pós?

Se você comprar um título pré – 13% ao ano, digamos – e a meta da Selic subir depois da sua compra, pra 16% por exemplo, seu título estará pagando menos que os novos CDBs pré. Você deixa de ter o rendimento do mercado.

Se acontecer o contrário, passa a pagar mais do que os novos títulos emitidos. Que bom!

Se comprar um CDB pós e a taxa subir, tudo bem. Se a Selic cair, seu percentual do CDI vai ser menor do que o pré pagava. E nessa situação com o CDB pós, você também deixa de ter o rendimento do mercado.

Então, vale a pena investir em pré quando o prognóstico da economia for otimista (de diminuição da inflação e queda da meta da Selic). E em pós quando não for.

Sei que vimos vários conceitos diferentes hoje, mas eles são a base dos investimentos de renda fixa. Daqui pra frente vai ficar mais fácil!

6 Comentários

  1. razmth
    ·

    Eu gostei demais dessa postagem. Muita riqueza de informações, simples e direto. Essa parte de finanças tem sido muito didática para iniciantes como eu, o que é muito bom. 😀

    Responder
    1. ZNP
      ·

      ‘brigado, raz! O importante são os conceitos! Se você entender essas ideias, toda a parte de renda fixa é moleza!

      Obrigado pelo comentário, amigo! 😉

      Responder
    1. ZNP
      ·

      Olá Anônimo,

      Recentemente migrei o site pra outro servidor, e com isso alguns links se perderam. Neste artigo, um dos links (sobre a Regra de 100) estava quebrado, mas já foi consertado. Muito obrigado por avisar!

      Abração,
      Z

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