Palácio de Memória

Simônides de Ceos (556aC – 468aC) foi o primeiro poeta a receber pelo seu trabalho. E, num desses trabalhos, deveria enaltecer as qualidades do vencedor de uma luta de pugilismo.

Só que, durante a ode, fez referências elogiosas a Castor e Pólux. E Escopas, o nobre da Tessália que o contratou, pagou só uma parte. Disse a Simônides que cobrasse o resto dos dois filhos de Zeus (pra você ver que calote e cara-de-pau não é invenção do mercado brasileiro).

Durante o banquete, foi chamado pra fora do salão por dois jovens, mas ao sair, não encontrou ninguém. Quando se voltou, o salão tinha ruído, e além de todos os convidados terem morrido, ficaram em estado tal que nem seus parentes puderem reconhecê-los.

Simônides, então, concentrando-se no lugar onde cada convidado estava no momento em que declamava sua poesia, conseguiu identificar todas as vítimas.

Esse feito vem de um tempo não só antes do google, mas de um tempo em que mesmo as grandes histórias eram passadas pela linguagem oral. A memória era fundamental.

O feito de Simônides foi relatado no Rhetorica ad Herennium (90aC), no De Oratore (55aC), de Cícero, e no Institutio Oratoria (95dC), de Quintiliano.

Nos tempos modernos, essa técnica, conhecida como método de Loci (“lugares” em latim) ou Palácio de Memória, foi descrita por Frances Yates em The Art of Memory (1966) e por Luria (citado recentemente aqui em A Maldição da Memória Perfeita).

Eu sei o que vocês estão pensando: “porque estamos falando de uma técnica tão antiga e esquecida?”

Porque, talvez, ela não devesse ter sido esquecida por muito tempo. O Nobel de medicina de 2014, entregue em outubro, foi para um trio de cientistas que descobriu o “GPS” do cérebro! Células do hipocampo acionadas dependendo do lugar onde as cobaias estavam (os testes foram feitos com roedores). Uau! Uma novidade… de 2500 anos!

Em breve, mais sobre o palácio de memória, e como ele é usado nos dias de hoje!

6 Comentários

  1. razmth
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    Muito bom! Pelas poucas leituras que fiz aqui depois do post, todas bem por alto, incluindo um vídeo, me trouxeram à conclusão de que não é algo tão trivial. É até meio louco, à primeira vista, pra falar a verdade. Achei massa, mas ainda não imaginei como usaria. 😀

    De todo modo, você parece ser bom de memória e certamente faz uso disso, hahaha!

    Abração!

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    1. ZNP
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      Grande raz! É exótico sim. E meio estranho nas primeiras práticas. Não acredito que deva ser usado pra tudo, mas tem seus usos, com certeza!

      Vamos ver mais muito em breve! Valeu pelo comentário! 😉

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  2. Sherlock Gomes
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    Parabéns, ZNP! Sempre colocando conteúdo de qualidade. Já li todos os posts e sempre que eu entro e tem coisa nova eu admito que já fico com grandes expectativas!

    Abraço!

    SG.

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    1. ZNP
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      Acho que você vai gostar dos posts de memória que seguirão esse! Muito obrigado pelas palavras gentis, Sherlock!

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  3. andre
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    Parabéns pelo conteúdo de qualidade. Descobri ontem, e já li boa parte dele.

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