GreatWall 3 Estrelas

Este texto tem 4 anos. Foi publicado em 2011, diretamente da China para o blog WineLeaks Brasil, do BK72, um querido amigo que, este sim, conhece muito de vinhos.

Quando digo que conhece de vinhos, é porque, além de beber muita coisa boa e diferente, viaja muitas vezes especificamente para conhecer as produções locais (coisa que eu fiz pouco), e além de tudo ainda tem memória para lembrar de tudo, o que eu também não tenho.

Vou aos poucos recuperar os textos e o próprio Wineleaks Brasil, porque é uma injustiça que esteja meio parado.

Este texto é de quando morava na China e procurava vinhos. Em muitos momentos, era até engraçado. Porque alguma coisa estava claramente errada.

great wall – um chinÊs 3 estrelas

Fui ao supermercado com a patroa. Um supermercado chinês. Ir com a patroa num supermercado pode ser “curioso” de várias maneiras. Ela pode querer comprar só um chocolate num sábado à tarde, quando o lugar está tão lotado que parece uma boate e os chineses se preparam pro cataclismo de 2012. Nessas ocasiões, faz questão de me pedir coisas como “pergunta pra funcionária se esse é fermento biológico ou fresco”.

Hoje, exclusivamente por conta do blog, fui ao supermercado decidido a comprar um bino chino. Já havia provado alguns em festas e recepções, e os que provei não estavam em pé de igualdade com os bons custo/benefício que bebemos no Brasil. Mas eu queria uma experiência pessoal, uma indicação.

A patroa insistia no chileno de sempre. A seleção num supermercado local, que não seja localizado em bairro de estrangeiros, dificilmente é das mais ricas. Metade da prateleira é de franceses de qualidade e preço variável. A outra parte é dividida entre uns pouquíssimos chilenos, australianos e sul africanos. Isso entre os binos ocidentais.

A parte de binos chineses é muito maior. Mas infelizmente, sobre várias prateleiras havia o mau agouro das placas de “compre um e leve dois”. Desanimei.

Uma funcionária se aproximou e me perguntou o que eu queria. Mostrei a ela o chileno que tinha em mãos e perguntei se ela tinha algum vinho chinês realmente bom. Ela me levou direto a um cabernet sauvignon 2002 com o preço dum Amarone.
Beleza. Mas nessa faixa de preço começa a ficar difícil achar vinho ruim. Pode até não valer o preço, mas aí é diferente.

Eu expliquei pra vendedora e ela me recomendou um outro. Perguntei se ele se parecia com o que eu levava, mas preferi imaginar que o olhar de “onde estou, quem sou eu” com o qual ela me retribuiu se devia exclusivamente à minha pronúncia ruim. Um casal de meia idade que escolhia uns binos me recomendou um outro.

Esse post é pra falar do primeiro: um GreatWall 2006. A garrafa e o rótulo impressionam. Impressionam pela falta de informações. A safra, por exemplo, vem na parte de trás. Ingredientes? Uva. Me chamou a atenção que o rótulo mostrava três estrelas. Nenhum outro tinha quatro ou cinco. Mas havia um com duas.

Abri a danada e deixei o bicho dar uma respirada. Tinha cor de vinho, o que não quer dizer muito. Um vermelhinho claro, pouco saturado. E não achar nenhuma surpresa boiando na garrafa também foi confortante. Pra vocês verem como minhas expectativas estavam baixas.

No nariz, nenhuma intensidade e ainda menos persistência. No paladar, idem. Aliás, me surpreendeu a ausência de persistência, que me chamou ainda mais atenção que a micro madeira e os taninos murchos.

Se vinho fosse música e as garrafas, alto falantes, a garrafa desse GreatWall seria uma concha e o GreatWall, o som do mar.

Pelo menos, não me deu dor de cabeça. O que me deu foi a patroa ter dito que deveria ter levado outro chileno.

***

Aqui você confere o artigo original, que as fotos caprichadas pelo BK72.

6 Comentários

    1. ZNP
      ·

      Opa, obrigado pelo comentário gentil! Desses textos de vinho tem uns divertidos. Pra variar um pouco! 😀

      Responder
    1. ZNP
      ·

      Que honra, o sr. por aqui! Quem sabe não saem posts novos dessa nova fase?! Disponível prum post amanhã?

      Responder

Deixe sua opinião