Introdução ao Budismo Tibetano – Parte 3

Descrevo aqui a experiência do 3º módulo do breve curso de introdução ao budismo tibetano que tenho frequentado no Centro de Dharma da Paz (é possível ver o gompa – a sala de meditação – nesta foto 360).

Quem perdeu as partes anteriores pode ler aqui os relatos da parte 1 e da parte 2.

O assunto dessa vez foi a prática diária. Os pequenos rituais, as meditações, os desafios dos budistas.

O ALTAR

Recomenda-se a preparação de um lugar especial para a meditação diária. Esse lugar tem objetos que apelam para os sentidos, de forma que, só de estar perto, o praticante entre mais rapidamente no clima da meditação.

Tem representações do corpo de Buddha (ao centro), um livro ou texto de Dharma (os ensinamentos de Buddha – à esquerda), e a representação de uma estupa (construção sagrada que tem vários fins, desde guardar os restos mortais de monges a relíquias, entre outros – que fica à direita).

AS OFERENDAS

Depois  de limpar e arrumar o pequeno altar, são feitas as oferendas. Essas oferendas são feitas aos mestres do passado, aos Buddhas, àqueles que encontraram a Iluminação para levar a Iluminação a todas as pessoas. É feita como quem recebe uma visita, o que se nota pelo que é oferecido:

As oito oferendas, colocadas em oito pequenos potes, são:

  1. Água para beber;
  2. Água para lavar os pés;
  3. Flores;
  4. Incenso;
  5. Luz;
  6. Colônia;
  7. Alimento;
  8. Música

Existe uma ordem e uma disposição, mas não vou entrar nesses detalhes para fins de objetividade.

Feitas as oferendas, são feitas três prostrações. Já vi tibetanos fazerem prostrações por horas (provavelmente eles estavam fazendo há dias) no templo Jokhang, em Lhasa.

No final do dia, as oferendas são recolhidas.

Interessante foi a observação do monge para fazer (ou comprar) especificamente para as oferendas. “Para oferecer com avareza, é melhor nem oferecer”.

MEDITAÇÃO

A seguir, é feita a meditação. Quem se senta no chão, num lugar confortável, quadril acima das pernas. Quem faz numa cadeira, costas afastadas do encosto.

Existe um breve checklist da posição de meditação, que é chamada de 8 posturas de Vairochana:

  1. Pernas – cruzadas, em meia lótus ou lótus (essa é pros faixas-pretas!). Quem estiver na cadeira, pés paralelos no chão, na direção dos quadris.
  2. Mãos – sobre as coxas, ou no gesto (mudra) de concentração de Buddha Amitabha, que é a mão direita sobre a palma da mão esquerda e os polegares juntos na altura do umbigo. Braços relaxados.
  3. Coluna – é imaginar um fio puxando a nuca para cima. Isso ajuda a manter as costas retas.
  4. Ombros – relaxados e em boa postura.
  5. Olhos – entreabertos olhando na direção da ponta do nariz ou fechados com as pálpebras relaxadas.
  6. Queixo – ligeiramente voltado pra baixo.
  7. Lábios e dentes – maxilar relaxado, entreaberto, com os lábios fechados levemente e a ponta da língua tocando onde os dentes da frente encontram o céu da boca.
  8. Respiração – Respiração dos nove ciclos ou da meditação de Atenção Plena (Mindfulness).

Daí pra frente entram os mantras, preces, visualizações e outras formas de meditação. E fica fácil entender o porquê de tantas mudanças no cérebro dos praticantes: as formas de meditação são variadas e mentalmente envolventes.

Infelizmente, até esse ponto, algumas horas já tinham corrido, e alguns assuntos ficaram para as próximas sessões. Até lá!

2 Comentários

  1. razmth
    ·

    Legal o relato. Como aprendiz você participa dessas etapas, digamos, mais religiosas? Ou fica só assistindo/aprendendo mesmo?

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    1. ZNP
      ·

      Esses ensinamentos são pra quem quiser praticar o budismo. Eu tenho ido pra aprender e conhecer. Está sendo muito legal!

      Responder

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