Começando a Estudar
um Idioma

Quando comecei a estudar japonês, e isso tem mais de 10 anos, não esperava que um dia tivesse uma utilidade. Mas a vida dá voltas!

Fiz aulas presenciais numa excelente escola de São Paulo, a Aliança Cultural Brasil-Japão, que recomendo sem restrições, e também estudei por um tempo pelo método Kumon, quando morava no Rio.

Estudar num curso presencial é muito bom por conta da interação com outros alunos. E os almoços depois da aula eram a melhor parte do sábado.

Naquela época, como parecia difícil! Havia uma lista com umas 20 palavras por semana. Os caracteres chineses eram indecifráveis. Um emaranhado de traços e leituras diferentes. A impressão que eu tinha era a de que só haviam dois níveis de dificuldade: ligado e desligado.

Anos depois, nas tais voltas da vida, estava em Pequim, estudando chinês pelo método mais brutal com o qual tive contato, incluindo o SIMEB (Sistema de Instrução Militar do Exército Brasileiro).

Num curso de férias (que eram cursos curtos, de um mês), lembro bem da professora perguntando, logo nos primeiros minutos da primeira aula, o que tínhamos achado do primeiro capítulo! Isso mesmo! As aulas, segundo ela, eram só para tirar as dúvidas. E a quantidade de vocabulário diária era formidável.

Instantaneamente, minhas aulas semanais de japonês no Brasil pareceram uma bebida com um guarda-chuva na beira da piscina.

Do tempo em que eu comecei a estudar japonês até hoje, descobri muitas técnicas e recursos úteis.

O primeiro deles é tentar seguir as orientações regulamentares de proficiência. O japonês tem o JLPT (Japanese Language Proficiency Test). O mandarim tem o HSK. Espanhol, Francês, Italiano e Alemão seguem o padrão da Comunidade Europeia. E mesmo para o inglês, que tem o TOEFL, costuma-se usar o padrão europeu de proficiência, que vai do A1 (iniciante) até o C2 (fluência), em podcasts e blogs de poliglotas.

Essa divisão procura facilitar o domínio progressivo de vocabulário, gramática e outros aspectos.

Recentemente, o exame de proficiência do japonês passou a ter 5 níveis, começando pelo 5 e indo até o 1. Antes desta mudança, eram 4 níveis, e a diferença do 3 para o 2 era muito grande.

Apesar de ter o nível 3 antigo, a curva do esquecimento trabalhou certinho em todos esses anos sem nenhum contato com a língua! Então, recomecei do zero.

Usando apenas os recursos deste artigo, em pouco tempo recuperei o hiragana e o katakana, silabários que são usados juntos com os caracteres chineses – os kanji. Com isso, já posso começar a ler o material usado no Japão no ensino fundamental.

Estou usando o método Kumon por me permitir o máximo de flexibilidade de horário, e estudando basicamente no tempo que sobra do almoço.

Em adição ao Kumon, estou usando uma caixa Leitner feita com carinho pela Sra Zinplez. Reviso até chegar ao erro zero e paro. Para memorizar uma palavra particularmente difícil, uso algum tipo de associação. Esses métodos simples transformam a aquisição de vocabulário num jogo rápido e eficiente.

Quem não estiver seguindo o vocabulário de um método, e for autodidata, pode ser tremendamente beneficiado de uma lista de frequência de vocabulário. Existem listas com vários tamanhos, e até dicionários. Ao invés de adquirir todo tipo de palavras, as listas de frequência apresentam a palavras mais recorrentes de cada idioma.

Quem estiver seguindo um método pode simplesmente se adiantar e concentrar-se nas listas fornecidas pelo exame oficial.

Toda semana vou compartilhar aqui meus métodos e recursos para o aprendizado de japonês, e com pouca criatividade você pode aplicar no aprendizado de qualquer outro idioma.

10 Comentários

  1. razmth
    ·

    Onde eu consigo achar a ementa de cada nível do TOEFL, baseado no que eles pensam? A princípio me orientava de modo semelhante, mas com a ementa de um curso presencial da minha universidade.

    Poderia ter muita diferença para o propósito?

    Abração, Z.

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      1. razmth
        ·

        Pois é. Cheguei a encontrar essas duas páginas, mas achei ambas bastante subjetivas. Diz o que a pontuação significa, o que você consegue fazer nesse nível, mas não dá um roteiro de estudos, uma ementa. Vou continuar a usar a que tenho aqui, acho que está razoável. 😀

        Listas de frequência acho muito legal pra fazer flashcards. Facilita muito. Já havia testado.

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        1. ZNP
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          raz, em muito lugar você consegue encontrar conteúdo relacionado com o nível de proficiência. Material para HSK 4, ou níveis B2 e B1, por exemplo. O negócio é procurar! O aplicativo Memrise, por exemplo, tem muito material específico! Já deu uma olhada nele?

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  2. MalaVoxa
    ·

    Muito bom o post ZNP, estarei no aguardo ansiosamente aos próximos posts.

    Uma outra pergunta, será que há algum curso presencial aqui no Brasil que seja parecido com esse que você fez na China? Nesse quesito de ser bastante puxado.

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    1. ZNP
      ·

      Grande MalaVoxa! Olha, fiz o curso numa universidade, e eram 20h semanais. Fiz 3 semestres na universidade, além de cursos curtos e outro semestre numa outra escola. Como também trabalhava e morava muito longe do campus, era uma rotina bem puxada.

      No Brasil, não sei de nenhum curso desse tipo. Mas se você estiver disposto a aprender mandarim, recomendo separar 2 anos e ir pra Pequim estudar numa universidade. Não é tão caro, e morar num alojamento a 5min de caminhada lenta da sala de aula é um grande plus! Ainda mais no inverno!

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      1. Anônimo
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        Quando você diz estudar numa universidade quer dizer cursar algum curso específico ou apenas para aprender Mandarim mesmo?
        É uma ideia bem bacana! Tem alguma quer é necessário fazer como pré-requisito para cursar a universidade?

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        1. ZNP
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          Oi Anônimo!

          As escolas que conheci eram bem grandes. E nas universidades haviam cursos de todas as durações. Você podia fazer cursos de um semestre, de graduação e cursos curtos e livres. Os cursos de um semestre eram progressivamente mais difíceis e levavam 3 anos. Também conheci escolas que tinham cursos como comida chinesa, tai chi chuan, introdução à medicina chinesa e por aí vai. Como eu morei alguns anos na China (não fui para estudar), saber chinês era muito útil. Normalmente, os testes mais difíceis vinham no supermercado, quando a minha esposa, segurando alguma embalagem, me falava sem nenhum aviso: “pergunta pra atendente se isso é água sanitária!”

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          1. MalaVoxa
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            Esqueci de colocar o nome dhsauidhiausdhauisd.
            Bem, agradeço a resposta Z!

          2. ZNP
            ·

            Grande MalaVoxa! hahaha! Se quiser, a gente continua essa conversa! 2 anos passam rápido, e se você se dedicar integralmente, volta falando um bom chinês! 😉

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