Sarado aos 40,
Esperto aos 60

Um estudo com muitos participantes e feito por décadas aponta uma relação interessante entre condicionamento físico e saúde cerebral na 3ª idade: Estar bem condicionado aos 40 mantém o volume do seu cérebro aos 60!

Mais de 1200 participantes fizeram um teste ergométrico quando tinham em média 41 anos. Não tomavam nenhum remédio que alterasse o funcionamento do coração nem tinham problemas cardíacos. Isso foi nos anos 70. A partir de 1999, começaram a ser submetidos a ressonância magnética.

Em pessoas com pouco condicionamento físico, as variações na pressão sanguínea e na frequência cardíaca são bem maiores do que em pessoas aptas, mesmo em exercícios de baixa intensidade. E os pequenos vasos sanguíneos no cérebro são vulneráveis a essas variações, levando a alterações estruturais no cérebro e a perdas cognitivas.

Os pesquisadores descobriram que pessoas com menor aptidão física (maior aumento de pressão diastólica – o número menor na medição – ou frequência cardíaca com poucos minutos de exercícios de baixa intensidade – 4 km/h) tinham menor volume de tecido cerebral 20 anos depois. Além disso, também foram pior em testes cognitivos de tomada de decisão.

Além dos testes com exercícios, uma pressão sistólica (o valor maior) mais alta aos 40 anos foi associada com um lobo frontal menor e maior volume de hiperintensidade na matéria branca (indicador de perda de circulação sanguínea com a idade) nas ressonâncias feitas décadas depois.

Embora não mostre causalidade, já que fatores como estilo de vida e dieta também podem ter influenciado, o impacto da aptidão física ficou claro.

Outros estudos também mostram uma relação interessante entre exercícios e idade – dessa vez a influência sobre o ciclo circadiano (as alterações fisiológicas que acontecem ao longo do dia).

Em 2009, um grupo de pessoas teve suas atividades monitoradas 24h por dia durante uma semana. Os jovens se movimentavam bastante durante o dia, mas os gráficos não tinham um padrão sólido. Eram picos e vales. Às vezes muita atividade durante o dia, às vezes muito pouca.

Os pesquisadores concluíram que o corpo reage à atividade de modo a programar movimento e descanso, e produzir um ciclo circadiano saudável.  Os indivíduos mais velhos, com menos atividade, tiveram uma piora dessa função, ficando em inatividade durante o dia e atividade à noite, de forma aleatória.

Outra pesquisa publicada em 2015 sugere que exercícios, mais do que a idade, contribuem para um ciclo circadiano saudável.

Ratos de laboratório, tanto jovens quanto velhos, reagiram positivamente à corrida. Sem ela, mostraram o mesmo padrão aleatório de repouso e atividade. Mesmo os mais jovens! E com a corrida, até os ratos mais velhos tiveram a restauração de padrões de movimento (ainda que menos consistentes que os jovens).

Ratos de laboratório e humanos em escritório podem ter mais semelhança do que a velha corrida dos ratos. Afinal, correr de verdade pode ser bom tanto pra um quanto pro outro.

4 Comentários

  1. razmth
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    Excelente artigo, Z! Muito bom pra motivar o exercício físico. Eu não comentei, mas a última ZZ também ficou ótima.

    Abração e boa semana!

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    1. ZNP
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      Grande raz! Gozado como as coisa são interlaçadas, né? Atividade física, sono, cognição…

      Obrigado mais uma vez pelo comentário e boa semana! 😉

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      1. razmth
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        É aquela famosa excelência em uma coisa se expandindo para excelência em várias outras, estilo Da Vinci e tantos outros, né? 😀

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