The Book is on the Brain

Não demorou até que tecnologias como ressonância magnética e eletrofisiologia chegassem ao estudo de línguas. Já são usadas para ver o que acontece quando entendemos e produzimos sons num segundo idioma.

Um estudo monitorou o que acontece no cérebro de quem aprende uma segunda língua em imersão.

A Academia de Intérpretes das Forças Armadas Suecas tem, com certeza, um dos programa mais intensivos do mundo. Os estudantes vão do zero até a fluência em idiomas como russo, árabe ou persa em 13 meses, estudando sem parar de manhã até a noite, incluindo finais de semana.

Foram feitas ressonâncias magnéticas antes do estudo começar e apenas três meses depois. Esse grupo foi comparado com outro grupo de pessoas que também estudava pesado, mas ao invés de idiomas, medicina e ciências cognitivas na Universidade de Umea.

O cérebro dos estudantes de línguas cresceu em áreas diferentes, e as mudanças variaram de acordo com a performance dos alunos e do esforço que colocaram em aprender. Quem teve melhor performance teve maior crescimento no hipocampo e no giro temporal superior. Quem se esforçou mais teve alterações no giro frontal médio, no córtex motor. O pessoal da universidade não apresentou mudanças. Resta saber se o regime de estudo dessa turma é o mesmo que leva um recruta a falar fluentemente dari (persa afegão) em pouco mais de um ano.

A ressonância funcional (fMRI) também é usada para ver o que acontece no cérebro de adultos que estudam outros idiomas.

Japoneses crescem sem fazer distinção entre o “r” e o “l” (fonema que não existe no japonês), porque quando ouvem os dois sons, uma única região do cérebro é ativada. Para fazer a distinção, é necessário que o cérebro faça um novo circuito. E por menos provável que possa parecer, usar um software que aumentava a diferença entre os dois sons em apenas três sessões de 20 minutos já capacitava os voluntários da pesquisa a diferenciar os fonemas, mesmo em diálogos normais.

Para ter certeza de que os voluntários de um estudo sobre aquisição de segunda língua não seriam expostos mais do que outros a um idioma existente quando estivessem fora do laboratório, pesquisadores da Universidade de Illinois ensinaram a dois grupos uma língua inventada.

A um grupo foram dadas explicações sobre as regras da língua. O outro foi imerso nela, sem explicações de regras. Todos aprenderam, mas o grupo imerso apresentou padrões mais próximos aos nativos de um idioma. E mesmo depois de seis meses do estudo original, ainda foram bem em avaliações do idioma artificial, apresentando padrões ainda mais semelhantes aos de nativos.

Num estudo posterior, foi demonstrado que pessoas com habilidade em perceber padrões intuitivamente (como gramática) iam melhor durante a imersão. Isso pode, no futuro, ajudar a desenvolver um método de ensino que se adapte às suas capacidades. Tenha explicações, imersão, ou um seguido do outro.

Seja como for, ser bilíngue protege o cérebro, atrasando o Alzheimer e outras doenças que afetam o cérebro na 3ª idade, em média por 4 anos, segundo estudo canadense.

Um estudo de longa duração mostrou que esses benefícios também são estendidos a quem aprender um segundo idioma mais tarde, além de terem melhores avaliações em leitura e inteligência geral na 3ª idade.

Ou seja, num ritmo bem menos intenso que o da academia sueca, podemos aprender um novo idioma em 3 ou 4 anos, que farão bastante diferença no futuro.

11 Comentários


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    Esse foi o tópico derradeiro para mim. De hoje em diante o plano é ser bilíngue.
    Muito bom o texto e muito bom também o portal! Valeu!

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    1. ZNP
      ·

      Walter, vou continuar postando semanalmente o que achar de motivação para estudar e aprender. Muito obrigado pelas palavras gentis!

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  2. Erich94
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    Muito bom! Agora ainda mais, pretendo estudar outras línguas pro resto da vida 😀

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    1. ZNP
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      É isso aí, Erich! Terminou uma, começa a outra! Já pensou se cada língua aprendida garantir 4 anos a mais de saúde? 😀

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    1. ZNP
      ·

      Valyrio muño ēngos ñuhys issa! (quer dizer: “Valiriano é minha língua materna”). Nos dias de hoje, a utilidade do valiriano está entre o klingon e a língua do pê. 😀

      Valar Dohaeris!

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    1. ZNP
      ·

      Em tempos de Google, a gente só descobre que “enciclopedia” mesmo em mesas de bar e sem wifi! 😀

      Obrigado pelo comentário gentil, raz!

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  3. godzilla
    ·

    Z,

    Muito obrigada por me mostrar o Anki. Eu estou utilizando esse programa para enriquecer meu vocabulário em inglês. Quando eu jogava algum jogo e geralmente não entendia algum vocabulário eu deixava passar, mas agora estou colocando no Anki e está muito legal. Agora além de matar bichos, enriqueço meu inglês (o jogo é o Bravely Default, tem muitas palavras novas que entendo pelo contexto, mas estou ficando mais interessada em realmente saber o que é).

    Depois colocarei outros idiomas que aprendi na faculdade e fui deixando de lado 😉

    Obrigada =)

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    1. ZNP
      ·

      Que legal, godzilla! Já pensou em usar o Memrise e participar da CZP? Essa combinação de mídia (seriado, anime ou jogos) com flashcards é matadora! Seu vocabulário vai decolar! Parabéns!

      E eu é que agradeço o comentário gentil! 😉

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