O Outro Lado dos Flashcards

Quem leu o artigo sobre Flashcards e o Sistema Leitner já deve ter começado a usar um aplicativo de flashcards ou uma simples e analógica caixa Leitner.

Eu uso os dois, e eles funcionam. E funcionam porque fazer testes é a melhor maneira de aumentar a retenção. A razão é simples: quanto você lê várias vezes um assunto, não está treinando sua memória. Está treinando leitura. E se não ajuda a lembrar, também é uma perda de tempo.

Mas nem todo mundo é unânime quanto à forma como eles funcionam.

Gabriel Wyner, autor do livro Fluent Forever (já indicado na ZZ 12), defende que a criação de flashcards deva ser feita de maneira personalizada. Se o estudante não puder desenhar, tudo bem. Basta usar o Google Images, e buscar a palavra no idioma que está estudando.

Isso porque as palavras têm um significado particular em línguas diferentes. Assim, um cachorro no Alasca tem um contexto diferente dum cachorro no Cantão. E o Google Images, usado na língua alvo, reproduz uma parte dessas diferenças.

Segundo ele, o fato de escolher entre as imagens disponíveis já cria um vínculo com a palavra estudada. Você escolhe “aquele” cachorro para ser o seu cachorro em italiano ou japonês de forma similar à que sua memória semântica guarda o que significa “cachorro” (um animal mamífero, quadrúpede, com tamanho e pelagem variada, que late).

O objetivo, então, seria um conjunto de flashcards em que você escolheu as imagens, colocou a pronúncia, associou a outras informações e assim criou um vínculo com a nova palavra como fez entre o objeto e a palavra em sua língua materna.

Ele acredita tanto nisso que acha inútil usar cartões de outra pessoa para aprender. O importante é personalizar os cartões tanto quanto possível para tornar a codificação da informação mais memorável. Aqui tem uma série de vídeos onde ele mostra como usar o Anki para fazer flashcards.

Outro ponto interessante é o de John Fotheringham, citado na ZZ17, de que os cartões realmente ajudam a lembrar palavras, mas não a como usar. Ele recomenda o uso de exemplos nos flashcards – o que pode ser feito sem muito esforço.

Glossika é um outro método para vários idiomas, e vai além, oferecendo repetições espaçadas com padrões de frases e vocabulário progressivo. O método todo é baseado em frases, não em palavras.

Qual o mais eficiente? Vale experimentar. Não adianta um ser melhor do que o outro se te der qualquer desculpa para não fazer. Sem dúvida alguma, o método que dá mais resultados é o que você faz!

2 Comentários

  1. Anônimo
    ·

    Olá zinplez, o flashcard é muito bom para aprender um novo idioma. Você acha que para matérias bem mais extensas, como no caso de concurso, em que também precisa ter um entendimento, é possível utilizar esse método?

    Obrigado e parabéns pelo site, muito bom!

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    1. ZNP
      ·

      Olá! Acredito que sim! E nem precisam ser flashcards físicos (as fichas de papel). Olha só a quantidade de assuntos diferentes no Memrise ou no Anki! Tem engenharia de mineração, direito constitucional, História, etc! Vale a pena começar pra ter uma ideia de como funciona. Eu uso tanto físico quanto digital!

      E muito obrigado pelas palavras gentis!

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