Chegando na Austrália

Este texto foi publicado em 2011 no blog WineLeaks Brasil, do BK72, um querido amigo que conhece um bocado de vinhos. Na época, eu morava na China, e achar algum vinho razoável não era moleza.

CHEGANDO NA AUSTRÁLIA

Depois de tanto tempo sem boas enoperspectivas, fomos direto pro “Chile do oriente”: a Austrália. O plano era ir pra Barossa, região produtora próxima a Adelaide, mas acabamos ficando em Sydney e proximidades, onde muitas surpresas nos esperavam.

A primeira delas, apenas pra seguir a ordem cronológica, foi ser recepcionado pelo Sr Kononenko e esposa. Esse jovem senhor, do qual ainda vou falar mais, nos aguardava com dois belos exemplares de vinhos australianos na volta da primeira visita ao Sydney Opera House, que aconteceu praticamente assim que saímos do avião. E como os brancos eram a preferência da casa, o primeiro foi um espumante do oeste do país, o Feet First Chardonnay Pinot Noir, refrescante e frutado, 12% na medida certa.

Quem curte a efervecência das bolhas diria que poderiam ter mais permanência e ser mais finas, mas já foi notavelmente melhor que o espumante Jacob’s Creek também Chardonnay Pinot Noir resgatado no duty free chinês. Quem conhece o duty chinês sabe que as escolhas de vinhos são basicamente duas: levar ou não.

O segundo, um Sauvignon Blanc 2010 da Wicks Estate, tão claro quanto premiado (um absurdo, mais de uma dúzia de referências), esse branco frutado, elegante e equilibrado de Adelaide Hills vai bem em qualquer terreno. Quem gosta dum vinho leve (12,9%) e gostoso pra iniciar os trabalhos, aí está.

Esse último realmente começou os trabalhos, que não foram poucos! Mas antes de começar a postar sobre os vinhos e vinícolas da Austrália, seguem umas observações. A primeira delas é que não se acha vinhos nos supermercados. Eles são encontrados apenas em lojas especializadas chamadas de “bottle shops” – a prima aussie das “liquor stores” americanas.

Não é permitido beber em público. Tudo bem, nunca pensei em beber como um esporte outdoor.

Por último, é permitido beber e dirigir! Desde que, claro, esteja dentro das normas. E elas são de 2 medidas de “bebidas padrão” (standard drinks) na primeira hora de farra e 1 medida a cada hora seguinte. Cada “standard drink” equivale a 10g de álcool (12,5ml de álcool puro), não importando o tipo de bebida.

Olhando a tabela, dá pra ver que não é lá muita coisa, mas é melhor que nada. Primeira coisa que pensei foi na (in)viabilidade disso no Brasil. E é comum em países desenvolvidos.

Pra referência, 1 standard drink corresponde a 100ml de vinho que tenha 13,5% de ácool. E cada garrafa mostra, na parte de trás, quantos standards drinks tem na garrafa inteira. Como curiosidade, 7.1 unidades no espumante acima e 7.7 no Sauvignon Blanc 2010 da Wicks Estate.

Durante a estadia na Austrália consumimos dezenas de milhares de standard drinks, dos quais muitos serão postados aqui. Esses artigos serão dedicados ao Partido Comunista da China.

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