Tesouro Direto

Com a recente decolada das taxas de juros no país, a poupança passou a perder feio pra inflação e os investidores procuram alternativas melhores de investimentos. Já falamos sobre CDB e LCI/LCA. Hoje vamos falar sobre TD (Tesouro Direto).

Os títulos do tesouro são papéis da dívida pública: você empresta dinheiro pro governo e ele devolve o dindim corrigido, num prazo combinado.

Para poder negociar títulos do tesouro basta ter uma conta numa corretora. Muitas não cobram nenhuma taxa para operar títulos públicos. Outras cobram taxas bem baixas, como 0,1% ao ano. Evite negociar títulos públicos por grandes bancos, que costumam cobrar taxas abusivas.

Aqui você encontra o ranking de agentes de custódias (corretoras) e as taxas cobradas no Tesouro. Os que constam como “agentes integrados” são aquelas corretoras em que é possível negociar títulos do TD diretamente em seu homebroker ou site.

Em 2012, o TD passou por algumas mudanças importantes:

  1. Passou a ter liquidez diária ao invés de semanal, podendo ser vendido até nos finais de semana e feriados;
  2. O valor mínimo de investimento passou a ser de 10% o valor de qualquer título, até o mínimo de R$30;
  3. Agora é possível agendar as operações;
  4. Os nomes dos papéis mudaram para fazer sentido!
TAXAS E IMPOSTOS

Além da taxa do agente de custódia (a corretora – que varia entre 0 e 0,25% ao ano na maioria) e da BMF Bovespa (0,3% ao ano), as aplicações ainda sofrem IOF regressivo nos primeiros 30 dias e IR regressivo até 2 anos sobre os rendimentos:

  • Até 180 dias: 22,5%
  • Entre 180 e 360 dias: 20%
  • Entre 360 e 720 dias: 17,5%
  • Acima de 720 dias: 15%

Pra quem vai usar o Tesouro Selic como alternativa à poupança e desanima com os impostos, basta lembrar que a rentabilidade da poupança é mensal, e a do TD é diária.

QUAL TÍTULO ESCOLHER?

Aqui você confere a rentabilidade passada, taxas e prazos de vencimento oferecidos. Parece uma bela bagunça, né?

Vamos facilitar: juros semestrais só valem a pena quando os montantes investidos forem tão grandes que os juros possam servir como alguma remuneração. Além disso, ao pagar os juros semestralmente, o principal é abatido, diminuindo a força da bola de neve dos juros compostos.

Podemos cortar também os títulos que acompanham o IGP-M, que já não são oferecidos há muito anos. Basta ver o espaço vazio no campo “compra”.

E agora sobram bem menos!

TRÊS SABORES: PREFIXADOS, TESOURO SELIC E TESOURO IPCA+

Os Prefixados são isso aí: se são combinados a 15% no momento da compra, e depois passam a ser oferecidos pagando 17%, os títulos que você comprou passam a valer menos. Se passam a pagar 13%, os títulos que você comprou se valorizam.

Por essa razão, quanto maior o prazo de vencimento, maior a variação no valor dos seus títulos. E como o Tesouro Selic acompanha a variação da selic (a meta da taxa básica de juros do país), esse papel é o que menos varia, sendo o mais conservador.

É uma boa alternativa à poupança, que vai ficar de escanteio enquanto a inflação estiver maior que o rendimento da poupança, e houver opções melhores de investimento, como os CDBs, LCIs e LCAs e o TD.

Já o Tesouro IPCA+ é um papel com uma parte pós fixada (acompanhando a inflação medida pelo IPCA) e uma parte prefixada (a parte do “+”, indicada na tabela de rentabilidade). Esses são os papéis de prazo mais longo entre todas as modalidades.

Quem ainda está com dúvida deve conferir as perguntas frequentes aqui (link bem explicativo do site do Tesouro).

ESTRATÉGIAS BÁSICAS NO TESOURO DIRETO

Um movimento clássico é comprar títulos com vencimento próximo a objetivos definidos, como uma viagem num prazo curto, um imóvel em alguns anos, ou a aposentadoria mais pra frente.

Isso é pra esquecer as oscilações no valor dos títulos. É normal. No vencimento, remuneram o combinado.

No momento atual do país, vale colocar uma parte da sua reserva para emergência no Tesouro Selic. Se quiser acompanhar, a poupança só vai valer a pena quando a selic estiver de volta em 8,5% ao ano, que é quando a regra na “nova poupança” diminui o prejuízo dessa distância.

Os prefixados valem a pena nos picos de pessimismo. Se você conseguir comprar títulos prefixados ou mesmo IPCA+ num momento em que as taxas começarem a descer, terá muitas alegrias. E repare que não precisam descer no mesmo ano nem no ano seguinte. O horizonte de investimento aqui é bem mais longo que o das LCIs e LCAs.

Pessimismo pode ser bom! É quando aparecem as boas oportunidades. Logo depois vem o arrependimento de quem não entrou. Se você estiver nessa encruzilhada, entre o medo de ganhar e o de perder com uma ideia de investimentos, execute metade da ideia. Não vai ter tanto arrependimento se tiver dado errado, nem se tiver dado certo.

Outra maneira é fazer aportes mensais, sem olhar as taxas oferecidas nem a variação do que já foi aplicado.

Quem pretende investir por décadas e construir um patrimônio tem que desenvolver aquela indiferença sadia de ver essa flutuação e tentar ver qual o próximo passo com muita calma.

O pássaro na mão é muito melhor do que os 50 pássaros voando que são oferecidos todos os dias por aí. Normalmente por gente que está de olho no pássaro que você tem.

4 Comentários

  1. razmth
    ·

    Ótimo post, Z! Apesar de que já tinha aprendido na raça, o que também é coisa simples, é interessante pra quem tá começando se introduzir no assunto!

    Abraço!

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    1. ZNP
      ·

      Opa, raz! Com a selic do jeito que está, o TD é obrigatório. Seja pra quem quer uma opção pra reserva de emergência, ou pra investimentos com horizontes mais longos que os oferecidos por bancos privados. Deixar tudo na poupança por preguiça dá prejuízo! O importante é esse mesmo: começar logo! 😉

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