Pense como Sherlock

O título do livro é muito atraente: “Mastermind: How to think like Sherlock Holmes.” Assim que o vi, lembrei de quando estava no 2º grau. Felizmente, a biblioteca do colégio tinha tudo sobre ele.

Logo nos primeiros casos, lá estava eu, ao lado do Watson, me espantando com sua sobre humana capacidade de dedução. E saía pela rua tentando acertar quem fazia o quê, quem tinha vindo da onde. O resultado era sempre o mesmo: nenhum.

Esse livro traz, antes mesmo de começar, uma expectativa muito comum em provavelmente todo mundo que leu Sherlock Holmes na juventude.

Maria Konnikova, a autora, além de doutora em psicologia, é uma escritora do New York Times, onde escreve bem consistentemente.

Desde o começo, o livro cita as habilidades de Sherlock, fazendo um paralelo dos seus casos com pesquisas de neurociência ou comportamento, e frequentemente comparando com a mente do homem comum – o Watson, claro.

Os estudos são bem conhecidos. O paralelo é que é bacana. Confesso que, volta e meia, a comparação com o Watson atravessa, ficando na linha tênue entre a elegância da prosa e a encheção de linguiça.

Marquei o livro inteiro com as citações dos estudos – motivação, os muitos preconceitos que influem na decisão, memória, busca pela excelência e por aí vai. Mas desisti – acabaria por redigitar o livro.

Melhor indicar a versão em português, que ainda por cima é mais em conta que a versão original: Perspicácia – Aprenda a Pensar como Sherlock Holmes. Que eu só descobri depois de ler a versão em inglês. Como você vê, eu ainda penso como Watson!

Aproveito para indicar o filme Mr Holmes, com Ian McKellen, em que um Sherlock com 93 anos tenta resolver seu último caso enquanto luta contra o declínio de suas capacidades.

Tendo crescido admirando Peter Cushing como Sherlock (nas versões pra TV dos anos 60), é natural que não tenha gostado muito da releitura com Benedict Cumberbatch (série produzida pela BBC) – que assisti pela 1ª vez enquanto lia o livro. Não gostei de ver o detetive se comportar como um fashionista às vésperas de um desfile. Peter Cushing era o Van Helsing dos anos 70. Nas minhas memórias de garoto, Sherlock Holmes, quando não resolvia casos impossíveis, matava vampiros.

Mr Holmes não tem efeitos, insinuações polêmicas ou brigas de rua, mas tem fotografia, produção, direção e atuação excepcionalmente bem cuidadas e delicadas. Pra mim, um dos melhores filmes deste ano.

Deixe sua opinião